Quando publiquei aquela brincadeira
em que decretei a prisão de Papai
Noel, o professor Gamil Foppel me mandou um e-mail concluindo com a
insinuação: “o coelhinho da páscoa que se cuide”.
De fato, o coelhinho está para a
Páscoa assim como Noel está para o Natal, ou seja, nada a ver!
Como sabemos, a Páscoa (Pessach) é
uma das festas mais importantes do calendário judaico e está relacionada ao
êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II. É a
passagem da escravidão para a liberdade.
Para os cristãos, a Páscoa é a celebração
da ressurreição de Jesus Cristo, depois de crucificado. É também a passagem de
Cristo da morte para a vida.
Assim, o sentido maior da Páscoa,
seja para cristãos ou judeus, é a passagem, a liberdade...
Uma pesquisa no oráculo da
modernidade – o Google – vai apontar inúmeras versões para a introdução do ovo
de chocolate e do coelhinho na celebração da Páscoa, mas o certo é que
transformou a Páscoa em festa do consumo parecida com o Natal.
Pois é, o problema agora é o
seguinte: que fazer com o “coelhinho da páscoa”?
Mandar matar e comer o bichinho,
embora não seja um animal em extinção, não combina com o espírito da Páscoa e
com minha formação ecológica...
Mandar prender o bichinho também não
combina com o sentido de liberdade da Páscoa e com minha formação libertária...
Talvez fosse melhor ignorar o
coelhinho e lutarmos juntos pela libertação de todos os povos do mundo de todas
as formas de opressão! Isto é a Páscoa!
Então, boa luta para todos, quer
dizer, boa páscoa para todos!

Um comentário:
Enfim, alguém lúcido neste mundo. Mataram O Cordeiro de Deus, melhor dizendo, Ele se ofereceu por nós, foi o autor de sua história. Revelou quem era no ato de se dar, vivendo entre os homens,porém os contadores de estórias conseguiram metamorfoseá-lo, dando-lhe outra identidade, a de coelho. Pena de prisão perpétua, não para o coelho, mas para os expropriadores da verdade! Feliz páscoa!
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