Busto de Zeus (Museo Pio-Clementino, Sala Rotunda)
Mitos e Ritos jurídicos e o Direito como possibilidade
de realização da Justiça!
(ou perguntas sem respostas definitivas para que
continuemos buscando a Justiça!)
Roteiro do trabalho apresentado
em Aula Magna para os estudantes de Direito da Universidade Federal da Paraíba
(UFPB-Santa Rita), em 23.03.2012, e XII Semana Jurídica da Faculdade de Direito
da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 29.03.2012. Os eventos
foram promovidos pelo Centro Acadêmico Manoel Mattos e Centro Acadêmico Roberto
Lyra Filho, respectivamente.
Gerivaldo
Alves Neiva – Juiz de Direito (BA), membro da Associação Juízes para a Democracia
(AJD)
UM
ALONGAMENTO INICIAL…
Visite
o link:
I - PARA
COMEÇAR E NORTEAR A CONVERSA…
1.
Como é possível
ensinar sem ser autoritário?
2.
O professor
precisa mostrar ao aluno como empregar o saber para a formação de seu espírito
autônomo.
3.
O professor
precisa ajudar o aprendiz existencial a transformar o saber num sonho criativo
e não deixá-lo com a passividade de uma vaca olhando o trem passar.
4.
Lutar pelo amor
e a felicidade é mais importante do que possuir uma respeitável erudição. Nisto radica a mais
profunda subversão pedagógica.
5.
Um professor não
pode esquecer de ensinar a lutar pela felicidade.
Warat, Manifesto do surrealismo jurídico
II –
SUMÁRIO
1.
Provocando os mitos
Direito
x Ciência
Lei
e Direito x História
Legal
x Justo
2
. Provocando os ritos
Neutralidade
e Imparcialidade x Ideologia
Ritos
legais x Direito material
3.
Possibilidades
-
Judiciário x conflitos
-
Direito Posto x Justiça
-
Ulisses e Aquiles sobre a morte..
-
O Direito para os vivos e felizes!
III - O QUE
É MITO?
1.
O mito é uma
narrativa, um discurso, uma fala…
2.
O mito não fala
diretamente e precisa ser interpretado;
3.
O mito não é
verdadeiro no seu conteúdo literal, mas possui uma eficácia na vida social;
4.
Enfim, o mito é
uma mentira “verdadeira”!
O que é mito – Everaldo Rocha. Ed.
Brasiliense – Col. Primeiros Passos.
1. PROVOCANDO OS MITOS
a) DIREITO x
CIÊNCIA
1.
O que é o
Direito?
Conjunto das Leis?
Norma e coação?
Regras de comportamento?
Sistema de controle?
Linguagem?
Processo de libertação em movimento?
Ideologia dominante de uma realidade social?
2.
Ou o Direito é
apenas o estudo das normas vigentes em determinada época, desprezando-se os
valores, o devir, o justo etc?
3.
Ou o Direito se
resume à historiografia do que se convencionou chamar de Direito em cada
período da história?
4.
Ou as faculdades
de Direito se restringem a cursos de legislação?
b) LEI e
DIREITO x HISTÓRIA
1.
O Direito,
ciência ou que seja, faz a história ou é filho das
contradições/superações da história?
2.
A lei escreve
a história ou é escrita pela conjuntura histórica hegemônica?
3.
Qual o papel do
Direito e da lei no processo histórico que necessariamente produz vencedores e
vencidos?
c)
LEGAL x JUSTO
1.
Todo “legal” é
necessariamente justo em face do processo de construção histórica dos Direitos
Humanos?
2.
Uma lei pode
ser injusta? E a decisão judicial
fundada na lei pode ser injusta?
3.
O Juiz, em face
da CF e Tratados Internacionais, é obrigado a aplicar a lei injusta?
d)
POR FIM…
1.
Com tantas
possibilidades e incertezas, o Direito é mesmo esta potência que imaginamos?
2.
Será que não
temos ainda muito para construir antes de nos acharmos os “bam-bam-bans” da
praça?
3.
Será que não
estamos vivendo mais em função de mitos do que de realidade e vida plena
e abundante?
2. PROVOCANDO OS RITOS
a) NEUTRALIDADE
e IMPARCIALIDADE x IDEOLOGIA
1.
Um julgador
(humano que é!) pode ser neutro ou imparcial em seus julgamentos? Sua sentença
absorve as influências ideológicas do seu tempo?
(Ministro
Luiz Fux: “Como magistrado, primeiro procuro ver qual é a
solução justa. E depois, procuro uma roupagem jurídica para essa solução.”)
2.
Mas “quem” e
o “quê” define o que seja a “solução
justa” para o juiz?
3.
Então, como
diz Warat, “a fonte do direito são as sogras dos juízes”?
b)
RITOS LEGAIS x DIREITO MATERIAL
1.
O rito
processual (civil ou penal) pode ser imparcial na aplicação da lei material
injusta?
2.
O Juiz é
obrigado a limitar sua decisão ao que consta dos autos?
3.
O que não está
nos autos não está no mundo ou o mundo está nos autos e o Juiz não quer ver?
3. POSSIBILIDADES
a)
JUDICIÁRIO X CONFLITOS
1.
O normativismo
tomou as ruas, engoliu o Direito e judicializou todos os conflitos;
2.
O judiciário se
transformou em um grande divã da sociedade em conflito;
3.
Estamos
“correndo atrás” do prejuízo (conflitos), “enxugando gelo” e alimentando mitos;
4.
Enquanto isso,
não se repensa o judiciário, os grandes problemas do povo e a efetividade da
CF.
b)
DIREITO POSTO x JUSTIÇA
1.
Utilizando
apenas o que conhecemos hoje como Direito, existe possibilidade de realização
da plenitude dos Direitos Humanos e da Justiça?
2.
Se o Direito
moderno está fundado nas normas relativas à proteção da família, contratos e
propriedade, quem protegerá os sem-família, sem-contratos e sem-propriedade?
3.
A efetividade da
CF e cumprimento dos Tratados Internacionais possibilitariam um mínimo de realização
dos Direitos Humanos e da Justiça?
4.
Isto (cumprir CF
e Tratados) é possível sem uma revolução democrática do Poder Judiciário?
5.
Isto é possível
sem o “empoderamento” e autonomia da comunidade para mediar seus conflitos?
6.
Isto é possível
sem um Novo Direito?
7.
... Ou, muito mais do que isso, uma
alternativa ao Direito??
8.
Por fim, qual o
papel do ensino jurídico e dos juristas nesta tarefa?
4. ULISSES
E AQUILES SOBRE A MORTE…
Com
a ajuda da feiticeira Circe, Ulisses desceu ao inferno para consultar o célebre
advinho Tirésias e reencontra Aquiles:
Ulisses – Antes, estando vivos, todos nós, guerreiros de
Argos, o cultuávamos como a um Deus: neste local, hoje, vejo-o exercer seu
poder sobre os mortos; para você, Aquiles, inclusive, a morte é sem tristeza.
Aquiles – Ah! Não me venha enfeitar a morte, meu nobre
Ulisses! Preferiria viver como pequeno criado que guarda os bois, estar a
serviço de um miserável camponês, desprovido de qualquer fortuna, do que reinar
sobre os mortos, sobre todo esse povo extinto!
5. O DIREITO
PARA OS VIVOS E FELIZES!
1.
Como Ulisses,
não nos interessa um Direito sem vida e destinado apenas à tristeza dos mortos,
mas para garantir a felicidade dos vivos!
2.
Como Warat,
“ousar é um privilégio dos que tem coragem”.
3.
Como Guevara,
“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma
injustiça no mundo, então somos companheiros”.
6.
PARA CONTINUAR A CONVERSA…
GERIVALDO
ALVES NEIVA
Praça
Porcina Rosa de Araújo, 01 – Fórum Durval da Silva Pinto
48730-000
– Conceição do Coité – Ba.
www.gerivaldoneiva.com
www.facebook.com/gerivaldo.neiva
www.twitter.com/gerivaldo
gerivaldo_neiva@yahoo.com.br
Eis a apresentação em Powerpoint:

2 comentários:
Consoante referencia posta, a justiça não é apenas a legalidade. O justo para se realizar deve estar do lado da igualdade presente nas relações entre os homens, garantida juridicamente ou pela sua existência como valor em uma sociedade.
A justiça, deve ser desejada pelos homens, que a instauram em determinado momento histórico na busca da igualdade de direitos, apesar das desigualdades de fato. Para Comte-Sponville, a igualdade pode não corresponder à justiça legal, mas vai mais além, corrigindo a lei (que nem sempre é justa) permitindo “adaptar a generosidade da lei à complexidade cambiante das circunstâncias e à irredutível singularidade das situações concretas” (Comte-Sponville,1995, p. 93).
Assim, pode-se supor, haverá a justiça que pretende a igualdade entre os homens, quando ela estiver presente como valor na sociedade ou no homem justo, não se limitando nem se satisfazendo com a justiça legal. Esta, se não corresponder ao desejo de eqüidade entre os homens deve ser combatida, bem como qualquer injustiça. A justiça se concretiza fruto da intensidade desse valor numa sociedade. É preciso desejá-la e lutar por ela.http://www.uel.br/revistas/ssrevista/c_v2n1_direitos.htm
Você já pensou em publicar o conteúdo dessa sua palestra, num livro: tradicional ou digital? Eu gostaria muito de assisti-la (a palestra) e saber o q pensa sobre alguns assuntos postos, e é certo q através de um livro a eventual impossibilidade (por questões territoriais, etc) seriam eliminadas... Espero q escreva e/ou publique. Se fizer isso, por favor avise aqui... Eu sempre venho.
Postar um comentário