quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Projeto Santo Antônio de Música no Jornal A Tarde: é apenas o começo!


Em uma das minhas visitas ao Projeto Santo Antônio de Música

As pessoas que acompanham este blog já sabem da minha paixão pela Orquestra do Projeto Santo Antônio de Música, inclusive com a promoção de um concerto no Salão do Júri do Fórum de Coité. (clique aqui para relembrar).
Em 05 de agosto de 2009, publiquei aqui no blog (clique aqui para relembrar) sobre o Projeto: “Um dia, quem sabe, as crianças do Alto da Colina estarão se apresentado para o Brasil e um deles, ou vários, tocando em uma grande orquestra. Sonhar não custa nada!”
Este sonho está começando a se tornar realidade. No último domingo, o Jornal A Tarde publicou uma ampla reportagem sobre o Projeto Santo Antônio de Música.
Com esta notícia, estou me despedindo d@s amig@s para uma breve pausa e prometendo retornar depois de merecidas férias.
Eis a reportagem:

ORQUESTRA DE CRIANÇAS CARENTES TOCA CLÁSSICOS NO SEMIÁRIDO DA BAHIA
Conceição do Coité – Projeto social atende 90 meninos, mas precisa de instrumentos e mais espaço
Jornal A Tarde – 26.12.2010
Texto: Glauco Wanderley – Fotos: Reginaldo Pereira

 Em pleno semiárido baiano, em Conceição do Coité, a 200 quilômetros de Salvador, os músicos tocam Asa Branca, clássico de Luiz Gonzaga. Mas no lugar de sanfona, triângulo e zabumba, o som vem de violinos, violas, violoncelos e flautas. Ao invés do costumeiro cenário com um trio de forrozeiros idosos tentando manter viva uma tradição, o palco abriga 40 crianças e adolescentes vestidos em traje de gala, obedecendo aos comandos de um maestro.
A cena que há pouco tempo seria impensável, em três anos de existência da Orquestra Santo Antônio, se tornou comum. Em meados de dezembro, o grupo superou 40 apresentações. Os meninos e meninas do projeto musical e social descobriram “ontem” a música. Hoje grande parte deles sonha tocar profissionalmente numa orquestra.

A criadora e coordenadora, Maria Valdete Santos, espera no mínimo dobrar o número de integrantes, para formar um conjunto com dimensões oficiais. A orquestra surgiu da paixão de Valdete pela música erudita e tomou forma graças a uma feijoada. O prato tipicamente brasileiro, saboreado nos Estados Unidos, é o cardápio de um almoço anual que garantiu o dinheiro para o pontapé inicial.
O irmão de Valdete, Antônio Ferreira da Silva, é padre na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Nova York. Ele abraçou a causa e promoveu a primeira feijoada, em 2007. Os 3.500 dólares arrecadados na venda do almoço se transformaram em 15 violinos e 30 flautas doces. 20 crianças começaram as aulas.
Hoje são 90, divididas em quatro turmas, com alunos a partir de 7 anos. Apenas 90 porque não há professores, instrumentos nem espaço para abrigar o restante que também queria participar.

ENSAIOS
Aulas e ensaios ocorrem na capela particular construída no terreno da casa de Valdete, no bairro Alto da Colina. Os estudantes são do próprio bairro e dos vizinhos Mansão e Açudinho, na periferia da cidade. “Grande parte dos alunos são carentes, mas felizmente aqui não temos problemas com drogas e insegurança”, afirma a criadora do projeto.
O único professor é também o maestro, Josevaldo de Almeida Silva, autodidata em busca de uma formação profissional em música, para melhorar a qualidade do ensinamento transmitido aos meninos. “Comecei a tocar violão em grupo de jovens na igreja. Quando ouvi um violino pela primeira vez, em um casamento, tocado por um membro da Orquestra Neojibá [Núcleo de Orquestras Juvenis da Bahia, com sede em Salvador] me apaixonei. Comprei um e fui sozinho tentar aprender, porque não tinha quem ensinasse”, recorda o maestro.

SEM PROFESSORES, ALUNOS PASSAM A ATUAR COMO MONITORES
Faltam professores, mas a orquestra Santo Antônio já tem os primeiros monitores. São os próprios músicos adolescentes que avançaram mais no aprendizado. Como os violoncelistas Letícia, 12 anos e André, 13 e Isabela, 17, que se dedica à viola, comumente confundida com o violino.
André gostou de cara do violoncelo. Aprendeu depressa e no mesmo ano em que entrou já ensina. Letícia descobriu o instrumento graças à boa vontade. “Ninguém queria o violoncelo e eu fui pra ajudar. Hoje eu gosto mais do que do violino”, assegura.
O apego só não é maior que o de Isabela pela viola. “Gosto muito, muito, muito”. Tanto que se zanga quando o repórter pergunta se o instrumento incomum atrai pretendentes. “Não procuro namorado. É perda de tempo”, decreta.

MOTIVAÇÃO
A motivação das crianças impressiona. Um exemplo é a pequena Micaele, 10 anos, que brigou para tocar o instrumento de sua preferência. Todos os iniciantes começam a formação musical com a flauta doce. Muitos sonham em mudar para a flauta transversal. É difícil, porque o preço impede que o projeto compre muitas.
A flauta que custa R$ 700 no Brasil é vendida por 150 dólares nos Estados Unidos, mas a importação não é uma saída, porque encarece o produto. Pela insistência de Micaele em mudar de flauta, Valdete disse que aceitava se ela aprendesse três músicas em uma semana, sem ninguém ensinar. Ela aprendeu, ganhou a promoção e até demonstrou para a reportagem uma das melodias do teste. “O som da transversal é mais bonito”, diz.

PROJETO PRECISA DE APOIO PARA AMPLIAR NÚMERO DE INTEGRANTES
A orquestra tem um repertório de 30 músicas, conforme o maestro Josevaldo. Nele misturam-se composições clássicas e populares, entre estas algumas tipicamente nordestinas. No período atual, canções natalinas entram no cardápio musical.
A orquestra Santo Antônio atualmente até recusa convites para apresentações, porque as solicitações aumentaram muito e é preciso dedicar tempo aos ensaios e aprendizagem. Começou a cobrar pelas apresentações, mas o dinheiro não chega a cobrir os custos. “As cordas dos instrumentos precisam ser importadas. Por semana quebram pelo menos 10”, justifica Maria Valdete. Santos, coordenadora do projeto.
Para expandir o projeto, em qualidade artística (com um professor por instrumento, por exemplo) e quantidade de crianças atendidas, a direção tenta obter patrocínios em editais públicos de apoio à cultura, mas até o momento não obteve sucesso. A prefeitura assumiu o pagamento do maestro Josevaldo e além da feijoada anual em Nova Iorque, pessoas da comunidade, sensibilizadas com a beleza e importância social da iniciativa fazem contribuições.
A instituição mantém conta no banco cooperativo Sicoob, por onde também podem ser feitas doações, para a agência 3017, conta 15509-8.
 
Reportagem da TV Subaé, afiliada da Rede Globo, de Feira de Santana - Ba.

Clique aqui para assistir outros vídeos da orquestra no YouTube


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Neste Natal, junte-se a quem busca um lugar para morar, viver e trabalhar

Neste Natal, como já temos muito mais do que precisamos, vamos deixar que Deus nos contemple apenas com as sobras, se houver, daquilo que lhe pede os mais necessitados do que nós.
Mais do que isso, vamos oferecer nossos préstimos a Deus para lhe ajudar a servir a quem precisa mais do que nós.

Obrigado, Eywa, Deusa dos Na'vi (Avatar)

 Projeto Cine Fórum no Bairro Alto da Colina (Coité) - Foto: Gerivaldo Neiva

Uma cena que não pode se contada

Certa vez, há muito tempo, li um texto de Glauber Rocha em que ele advertia que seus filmes não eram para serem contados como uma estória normal de “começo, meio e fim.” Segundo Glauber, seus filmes eram para serem vistos inteiros, como uma pintura em um quadro. De fato, algumas obras de Glauber são verdadeiramente como uma pintura surrealista indescritível. Não dá para contar. É preciso assistir.
Lembrei-me de Glauber ontem à noite (22.12) por ocasião da exibição do filme Avatar para as crianças do Projeto Santo Antônio de Música, em Coité. Observar as crianças – muitas jamais entraram em um cinema – aplaudindo os Na’vi e os animais de Pandora derrotando os terráqueos é uma cena que também não pode ser descrita. É preciso assistir.
No retorno para casa agradeci a todos os Deuses, inclusive a Eywa (Deusa dos Na’vi), por estar vivo e participar daquele momento.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Cine Fórum no Projeto Santo Antônio de Música


O Projeto Cine Fórum, ainda na fase de testes do formato itinerante, vai exibir novamente o filme Avatar. Desta vez, a exibição será na Capela do Bairro Alto da Colina, local de ensaio da Orquestra do Projeto Santo Antônio de Música. Vai ser o encontro de duas grandes artes: cinema e música.
O filme Avatar conta a história de Jake, ex-fuzileiro naval e paraplégico, que foi enviado a um planeta chamado Pandora. Lá, além da riqueza em biodiversidade, existe também a raça humanóide Na'vi, com sua própria língua e cultura. O relacionamento de Jake com sua instrutora Neytiri se aprofunda e ele passa a respeitar o jeito de viver dos Na’vi, passando a ocupar um lugar no meio deles.
Além da beleza, o filme é uma grande mensagem de como viver integrado com a natureza e de respeito a todos os seres vivos.
A exibição será nesta quarta-feira (22.12), terá início às 19h e no Cine Fórum não se paga ingresso.
Quanto aos direitos autorais, como já disse antes, se James Cameron (Diretor de Avatar) pudesse ver a imagem dos olhos de uma criança de um bairro da periferia de Coité assistindo Avatar, tenho certeza que ele faria a doação de um equipamento mais moderno para o Projeto.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O mesmo caso, duas interpretações diferentes


Waterfall - M.C. Escher

Em 16 de abril de 2010 deferi pedido de liberdade provisória para acusado de tráfico de drogas, nos seguintes termos:
Autos: 0001141-98.2010.805.0063
Requerente: F.S.C.
 Tráfico. Prisão em flagrante. Liberdade provisória. Réu primário, endereço e profissão certos. Repercussão Geral no STF. Inconstitucionalidade do artigo 44, da Lei 11.343/06. Desnecessidade da decretação de prisão preventiva. Liberdade concedida.
 O requerente foi preso em flagrante ao ser abordado em via pública desta cidade e em sua posse, em uma “pochete”, encontrada certa quantidade de pedras de crack. Ao requerer a concessão de liberdade provisória, alegou que é primário, tem bons antecedentes, profissão e endereço certos, não havendo razões para decretação de sua prisão preventiva.
O ilustre representante do Ministério Público, em parecer de fls. 21 e 22, manifestou-se pelo indeferimento do pedido, alegando ter sido o crime “perpetrado com aflição de grave ameaça à ordem pública.”
Brevemente relatados, Decido.
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Em 05 de outubro de 2010, a Primeira Turma da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia deu provimento a Recurso em Sentido Estrito nos seguintes termos:
 PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. CONCESSÃO DE LIBERDADE PROVISÓRIA. TRÁFICO DE DROGAS. PERICULOSIDADE EM CONCRETO EVIDENCIADA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. CONCESSÃO DE LIBERDADE PROVISÓRIA. INVIABILIDADE.
I – O recorrido foi preso em flagrante, no dia 24 de março de 2010, pela suposta prática do delito descrito no art. 33, da Lei 11.343/06, portanto, setenta e cinco porções de substância com característica de cocaína, acondicionadas em pequenos pedaços de papel alumínio, bem como, a quantia de R$ 111,00 (cento e onze reais).
II – O MM Juízo a quo deferiu o pedido de liberdade provisória sob o fundamento de que inexistiriam motivos para a decretação da prisão preventiva, ante a primariedade, residência fixa e bons antecedentes, além da pequena quantidade de drogas apreendidas, o que, segundo o seu entendimento, seria apenas para uso próprio.
III – Sinaliza o Supremo Tribunal Federal na direção de considerar inconstitucional a vedação inserta no artigo 44 da Lei nº 11.343/06, acercada impossibilidade de concessão de liberdade provisória para os delitos tipificados nos artigos 33, caput, e §1º, e 34 a 37 do mencionado diploma legal, ante a violação dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da presunção da inocência, da ampla defesa e do devido processo legal.
IV – Acolhendo a direção interpretativa indicada pelo intérprete máximo do texto constitucional é necessário proceder à verificação, em cada caso concreto relacionado aos crimes tipificados nos artigos 33, caput e § 1º, e 34 a 37 da Lei nº 11.343/06, da presença dos requisitos autorizadores da prisão preventiva, enumerados no art. 312, CPP.
V – In casu, ficou evidenciada a materialidade delitiva e demonstrados fortes indícios de autoria, justificando-se a segregação provisória do paciente sob o fundamento da garantia da ordem pública, pois a quantidade de droga apreendida é considerável (75 porções de cocaína embaladas em papel alumínio), o que evidencia a periculosidade do agente. Precedentes do STJ. Recurso em Sentido estrito provido.
TJBa. - Proc. 0002102-39.2010.805.0063-0 – Recurso em Sentido Estrito - Órgão: Primeira Câmara Criminal (1ª Turma) – Recorrente: Ministério Público – Recorrido: Fábio Silva Cedraz – Julgado: 05.10.2010 - Relator: Juiz Convocado Paulo César Bandeira de Melo Jorge.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Contribuição ao debate sobre o "exame de ordem"



A revolução da educação em substituição ao “exame de ordem”

Rogério Lima de Oliveira, acadêmico de direito.

Definitivamente, não é a avaliação, teste ou prova que irá definir o melhor profissional da advocacia. Do mesmo modo, poderemos ter excelentes profissionais do direito sem que estes sejam submetidos a exames de capacitação profissional. Assim como, há médicos, administradores, contadores, engenheiros, economistas, psicólogos, jornalistas, dentre outros que dispensam tal avaliação profissional. Este último, em decisão recente do pleno do supremo tribunal federal, dispensa-se até a formação universitária específica. Nos idos de 1893, o próprio STF, já experimentou um membro que nem era do campo do direito. Apesar de, posteriormente, ter desatendido o requisito de notável saber jurídico, sendo, peremptoriamente, destituído da atribuição. Imagine se tal ministro lograsse êxito numa prova que atestasse sua permanência naquele colegiado.
O que importa, portanto, é a aplicação e estudo constantes para o exercício das diversas atividades existentes em todas as áreas do conhecimento. O profissional precisa é de aperfeiçoamento continuado, lapidando-se diuturnamente, para bem exercer suas funções laborais.
Do que adianta o bacharel em direito cuidar da aprovação de “exame de ordem”, se nunca mais ele participa de congressos, de leituras diversas, inclusive das teorias da arte/ciência do direito. Esta arte e ciência são de dinamismo sem igual. Permanecer estático às mudanças perpetradas pela ciência jurídica, é que elimina o advogado do mercado concorrido, em face à multiplicação das faculdades de direito.
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PS. Eu ainda não tenho uma opinião definitiva sobre o assunto. Preciso estudar mais...