quarta-feira, 31 de março de 2010

O que fazer com o coelhinho da páscoa?


Quando publiquei aquela brincadeira em que decretei a prisão de Papai Noel, o professor Gamil Foppel me mandou um e-mail concluindo com a insinuação: “o coelhinho da páscoa que se cuide”.
De fato, o coelhinho está para a Páscoa assim como Noel está para o Natal, ou seja, nada a ver!
Como sabemos, a Páscoa (Pessach) é uma das festas mais importantes do calendário judaico e está relacionada ao êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II. É a passagem da escravidão para a liberdade.
Para os cristãos, a Páscoa é a celebração da ressurreição de Jesus Cristo, depois de crucificado. É também a passagem de Cristo da morte para a vida.
Assim, o sentido maior da Páscoa, seja para cristãos ou judeus, é a passagem, a liberdade...
Uma pesquisa no oráculo da modernidade – o Google – vai apontar inúmeras versões para a introdução do ovo de chocolate e do coelhinho na celebração da Páscoa, mas o certo é que transformou a Páscoa em festa do consumo parecida com o Natal.
Pois é, o problema agora é o seguinte: que fazer com o “coelhinho da páscoa”?
Mandar matar e comer o bichinho, embora não seja um animal em extinção, não combina com o espírito da Páscoa e com minha formação ecológica...
Mandar prender o bichinho também não combina com o sentido de liberdade da Páscoa e com minha formação libertária...
Talvez fosse melhor ignorar o coelhinho e lutarmos juntos pela libertação de todos os povos do mundo de todas as formas de opressão! Isto é a Páscoa!
Então, boa luta para todos, quer dizer, boa páscoa para todos! 
ps. esta postagem foi do ano passado, mas continua atualíssima!

Judiciário baiano: caos, ceticismo e esperança


 
Foto do evento divulgada no site no TJBa. 
 No encontro de ontem, (Workshop de Gestão Participativa da Magistratura Baiana) a Desembargadora Telma Brito, Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, de forma muito honesta, observou que não haverá concurso este ano, em face de problemas com o orçamento, para servidores e nem para Juízes. Informou ainda está buscando soluções alternativas, como a contratação de estagiários, terceirização e utilização de voluntários. Com relação a outros projetos de interesse do Judiciário baiano, informou a Desembargadora Presidente que está negociando com o Governador do Estado e Assembléia Legislativa. Além disso, informou sobre outras providências pontuais que havia tomado nos primeiros meses de gestão. Ao final, de forma serena e visivelmente emocionada, conclamou todos a superar a crise.
Em determinados momentos, a Presidente usou as expressões “caos” e “arrumar a casa”. Não fez referência, no entanto, e nem poderia ser diferente, sobre quem estabeleceu o “caos” ou quem “desarrumou a casa” do Judiciário baiano. Gostei da discrição e honestidade dela.
O Desembargador Jerônimo dos Santos, Corregedor Geral da Justiça, pediu aos juízes que se empenhassem “um pouco mais” no cumprimento das metas para 2010, pois a imagem do Poder Judiciário da Bahia não é das melhores e que poderá, por força do ofício, quando necessário, ser obrigado a adotar providências legais contra quem merecer. Não sei se nas condições atuais, e na certeza de que não teremos mais do que o que já temos, será possível fazer “um pouco mais.”
 A Juíza Nartir Weber, Presidente da Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB), foi convidada e participou das mesas de abertura e encerramento, tendo se manifestado nesta última, cobrando soluções para os problemas que sofrem a magistratura baiana. Gostei de ver nossa presidente compondo a mesa, mas penso que é preciso ter claro qual o papel de quem dirige o Poder Judiciário baiano, em meio ao caos e desarrumação, e de quem representa a magistratura da Bahia, ou seja a AMAB é coadjuvante ou protagonista no desempenho de seu papel representativo?
A intenção de trabalhos em grupos foi muito boa, mas o espaço não ajudou e também não estamos muito acostumados com a metodologia.
Em um dos intervalos, comentando com um colega sobre o Cavalo de Schilda, ele me contou uma história parecida: certa vez, um cachorro começou a se alimentar do próprio rabo e desapareceu quando comeu o focinho. Qualquer coincidência com a situação atual dos magistrados baianos em face das metas que lhe são exigidas, não é mera coincidência.
Com outro colega, lembrando Ariano Suassuna, sertanejos que somos, comentamos que estávamos no “cófibreaque” de um “uorquexópi.” Oxente, moço, será que não temos termos próprios em nossa bela língua para dizer que estávamos tomando um cafezinho no intervalo de um encontro de magistrados?!
No mais, foi uma boa oportunidade para reencontrar velhos amigos e ter a certeza que estamos todos sofrendo com as mesmas dificuldades. Os mais jovens, cheios de esperança; os mais antigos, céticos e com visíveis sinais de cansaço.
Foi isso.

terça-feira, 30 de março de 2010

Juízes discutem Gestão Participativa no TJBa.


 
Espaço interno do Tribunal de Justiça da Bahia
Nesta segunda e na terça-feira, (29 e 30/03/10), o Tribunal de Justiça realiza o Workshop de Gestão Participativa da Magistratura Baiana, com participação de todos os juízes do primeiro grau, quando faz uma explanação sobre o atual momento do Poder Judiciário estadual e identifica as ações prioritárias na melhoria da prestação jurisdicional, alinhadas às Metas aprovadas no 3º Encontro de Presidentes de Tribunais, ocorrido em 26 de fevereiro de 2010.
As atividades começam às 8 horas, com o credenciamento dos juízes, seguido da abertura, feita pela presidente do Tribunal de Justiça, Desembargadora Telma Britto.
A promoção será no Auditório e na Praça de Serviços do Tribunal de Justiça e, para melhor dinamizar os trabalhos, os magistrados serão divididos em dois grupos, sendo que o primeiro grupo deverá se reunir na segunda-feira e o segundo grupo na terça-feira. (Fui convocado para hoje, terça-feira.)
Em suma, eis os objetivos do encontro:
- Explanação da situação atual do Poder Judiciário do Estado da Bahia
- Avaliação das Metas de Nivelamento de 2009
- Apresentação de sugestões de ações prioritárias para as Metas de 2010
- Entrega dos Certificados de Assinatura Digital.
No encontro de ontem (segunda, 29/03), os Juízes presentes apresentaram as seguintes sugestões: a contratação de assessores de juízes e de estagiários, a padronização de procedimentos cartorários, a substituição do Saipro e a melhoria no sistema de informatização, a capacitação de juízes e de servidores e criação de um cartório itinerante, para ajudar as unidades judiciárias sobrecarregadas.
De fato, não há como cumprir as metas de 2009 e as metas de 2010 com a mesma estrutura de antes e as mesmas condições de trabalho.
Darei notícias.
Leia mais sobre o evento no site do TJBa: http://www.tjba.jus.br

domingo, 28 de março de 2010

Crack: o Estado é culpado e responsável!


Outro dia critiquei aqui no blog a campanha do Estado da Bahia que aponta o crack como responsável por 80% dos homicídios no Estado, ou seja, transformando a consequência em causa do problema. Sendo assim, como disse, não é o uso do crack por jovens da periferia que causa a violência e a criminalidade. Ao contrário, quem causa tudo isso, por omissão, é o Estado que e permite que seus jovens, por falta de sonhos e oportunidades, se tornem dependentes do crack.
Ainda não fui chamado a decidir assim, mas concordo inteiramente com a sentença do Juiz de Direito Manoel Costa Neto, de São Cristóvão – SE.

Crack: Juiz determina que Estado pague tratamento
O Juiz de Direito da Comarca de São Cristóvão, Manoel Costa Neto, julgou procedente, no último dia 18, o procedimento de verificação de situação de risco de menor, solicitado pelo Ministério Público Estadual para que o jovem M.R.C.S receba tratamento, custeado pelo Estado, para desintoxicação de drogas em instituição especializada particular.
O magistrado acatou os pedidos reconhecendo a situação de risco do adolescente e determinou que o Estado, no prazo de 10 dias, pague o tratamento do menor pelo Projeto Grande Síntese, no município de Neópolis, pelo tempo que se fizer necessário para o seu restabelecimento, sob pena de pagamento de multa diária de R$ 5 mil contra o Secretário de Saúde, em caso de descumprimento.
Segundo o juiz, tramitam em média na vara cível de São Cristóvão, 180 processos de menores envolvidos com drogas, sendo 90% destes com relação ao crack. "O problema do crack em São Cristóvão é questão de saúde pública", informa com preocupação o magistrado.
O magistrado, na decisão, afirma que quando na hipótese de omissão do Executivo na implementação de políticas públicas, deve e pode o Judiciário agir para forçá-lo a cumprir o seu dever constitucional. "Não existe no município uma instituição especializada para a recuperação desses menores. Há promessas e nada é posto em prática. Da mesma forma, o tratamento disponibilizado pelo Estado é ineficaz. Por isso, a única alternativa para o tratamento desse jovem é o encaminhamento a uma instituição particular".
Ainda na fundamentação do seu entendimento, o juiz afirma que demonstrada a urgente necessidade de tratamento do menor cabe ao Poder Judiciário apenas cumprir seu papel de viabilizar o implemento de todos os meios para que seja preservado seu direito maior que é o direito à vida. "Determinar que o Estado custeie o tratamento do menor significa salvar uma vida. Além do mais a quantia a ser paga, nesse tratamento pelo Estado, é irrisória", comenta Costa Neto.
Com o intuito de atuar na causa do problema, ou seja, na reestruturação da família, o magistrado falou sobre o lançamento, pelo Judiciário, do Programa Família Legal, em São Cristóvão, que tem como objetivo conscientizar, através de palestras, cursos e seminários sobre a importância da família para a sociedade. "Se as famílias não se reestruturarem não haverá polícia que dê conta, pois ela trabalha em progressão aritmética e o problema da droga cresce em progressão geométrica", finaliza o magistrado. 
(Notícia publicada no site www.infonet.com.br )

Agora vejo em parte, mas então veremos face a face



Monte Castelo
Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja
Ou se envaidece...

O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer...

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...

É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder...

É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor...

Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...

sábado, 27 de março de 2010

É só repartir melhor o pão


O Sal da Terra
Beto Guedes/Ronaldo Bastos

Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Bem que tá na hora de arrumar...

Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir

Vamos precisar de todo mundo
Prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver...

A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da...

Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã

Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã...

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois...

Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra

quinta-feira, 25 de março de 2010

O CNJ quer Juízes ou técnicos em "gestão judiciária"?


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Universidade de Brasília (UnB) assinaram, em 23.03.2010, um acordo de cooperação técnica que prevê a “realização de atividades de pesquisas, cursos de aperfeiçoamento de pessoal, serviços de editoração de publicações e o intercâmbio de informações relativas ao programa” (CNJ Acadêmico), conforme noticiado pelo site do CNJ. Informou-se ainda que o “CNJ e a Fundação UnB vão promover, entre outras atividades, cursos de capacitação para magistrados e servidores do Judiciário. De acordo com o Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ), que coordena o Programa CNJ Acadêmico, uma das especializações previstas, em nível de pós-graduação, será sobre gestão judiciária". (Confira...).
A UnB também deu destaque ao acordo e ofereceu alguns detalhes sobre o curso destinado aos juízes: “O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a UnB firmaram convênio que prevê cursos de pós-graduação lato sensu para juízes de todo o Brasil. O acordo foi assinado pelo reitor José Geraldo de Sousa Junior e pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do STF e do CNJ. Os cursos poderão ser presenciais ou a distância. O primeiro, que deve começar já no segundo semestre, será desenvolvido pelo Departamento de Administração. Voltada para juízes, a especialização vai trabalhar conceitos de gestão para ajudar os magistrados a cumprirem metas de desempenho e acelerarem a tramitação de processos. A previsão é que sejam abertas 300 vagas. Leia mais...
Pelo que entendi, portanto, o CNJ e a UnB vão oferecer curso aos Juízes de Direito, em nível de especialização, sobre “gestão judiciária” para “ajudar os magistrados a cumprirem metas de desempenho e acelerarem a tramitação dos processos.”
Essa proposta do CNJ, agora acompanhado pela UnB, mais uma vez, devolve a crise do Poder Judiciário para os Juízes, ou seja, o problema é de “gestão judiciária” e “cumprimento de metas”. Evidente que precisamos de eficiência e modernização em qualquer ramo do Poder, mas não podemos prescrever remédio à pessoa errada e fechar os olhos para a causa principal do problema.
Mais uma vez repito: todos nós queremos eficiência e modernidade na gestão do Poder Judiciário, mas eu, como Juiz de Direito, gostaria muito mais de discutir, por exemplo, sobre “filosofia do Direito” para entender a crise atual do próprio Direito e do Poder Judiciário, do que fazer um curso de especialização em “gestão judiciária”, que deveria ser destinado, a meu ver, aos encarregados da gestão administrativa. Ora, Juiz não sabe gerir, não foi formado para isso e nem é este o seu papel jurídico-político-social.
O problema, como já disse outro dia, é que a tecnocracia que está pensando atualmente o Poder Judiciário brasileiro enxerga sentenças e decisões judiciais como produto de linhas de montagem, produzidas em massa. Para eles, necessita-se, portanto, em tempos modernos, de eficiência, produtividade, cumprimento de metas, mutirões, estatísticas, redução do número de recursos, súmulas vinculantes etc.
Nesta lógica empresarial, por fim, é o fenômeno jurídico presente no fato social que deve se adequar às etapas da linha de montagem. Quando o contrário acontecer, ou seja, quando o fato social desafiar a lógica dominante, a culpa não é da linha de montagem que não o compreende, mas do próprio fato social impertinente e do operador da máquina. Está justificada, portanto, a escolha do curso pelo CNJ/UnB.
Isto tudo nos faz lembrar o último discurso de Chaplin: “...não vos entregueis a esses brutais... não sois máquina! Homens é que sois”!

terça-feira, 23 de março de 2010

Um mundo (de livros) em meu Kindle


O Juiz Alexandre Morais da Rosa lançou, este ano de 2010, o primeiro livro jurídico brasileiro (clique aqui) editado para o Kindle. Mas o que é Kindle? Eu também não entendia nada dessa tecnologia até ver a notícia no próprio blog do Alexandre.
Pois bem, a definição mais objetiva seria dizer que o Kindle é um leitor de e-books (livros digitais) desenvolvido pela empresa Amazon, dos EUA, e de outros tipos de mídia digital. Para quem não domina esta terminologia “informatiquês”, pode-se dizer que o Kindle é um equipamento para armazenar, ler ou ouvir textos de livros, jornais e revistas. Alguns jornais brasileiros já oferecem assinaturas nesse formato, incluindo O Globo e Zero Hora. (clique aqui para ver outros jornais).
O Kindle tem dispositivo de áudio para ler os textos ou “tocar” música em formato mp3. Se for um áudio-book, ou seja, um tipo de arquivo em formato próprio de áudio, o Kindle “toca” o livro e reproduz o áudio na voz de quem gravou. Agora, se for apenas para “tocar” o texto de um e-book ou de outro texto qualquer, como uma lei ou um romance, a “pessoa” que faz a leitura tem um fortíssimo sotaque inglês e a compreensão fica difícil.
A versão mais moderna – o Kindle DX – já vem com o sistema Global Wireless e permite a conexão direta com o site da Amazon através de uma espécie de modem interno e utilizando o sinal do sistema móvel celular. É como se fosse uma ligação do tipo 0800 para a Amazon, mas não é permitida a conexão com outros sites. O Kindle tem o display de 9,7 polegadas, pesa menos de 300 gramas, tem capacidade de armazenar 3 mil livros e bateria com duração de até uma semana quando não conectado à loja amazon.com.
Os e-books para o Kindle são comprados no próprio site da Amazon. O livro de Alexandre, (Jurisdição do real x controle penal: Direito & Psicanálise via literatura), por exemplo, está disponível na Amazon por U$ 7,99. (confira). Mas nem só de livros da Amazon vive o Kindle. Algumas empresas brasileiras já estão editando e comercializando livros no formato e-book. Basta consultar o “oráculo da modernidade”, o Google, e encontre uma infinidade de títulos em e-book.
Além disso, o Kindle também funciona como um armazenador de dados do tipo “pendrive”. Assim, através de uma porta USB, o usuário pode copiar seus textos e músicas para o Kindle como se fosse para o “pendrive”. É possível visualizar arquivos de textos nos PDF e TXT sem necessidade de qualquer tipo de conversão, mas para o formato DOC só através de conversão pela própria amazon. O problema é que Bill Gates não perde a oportunidade de ganhar uns centavos a mais.
Este problema do formato é o de menos, pois converter arquivos DOC em PDF é fácil e gratuito através de vários aplicativos. O BROffice, (http://www.broffice.org/download), por exemplo, é um pacote gratuito e tem a alternativa de salvar um arquivo de texto diretamente em PDF. Não bastasse isso, bons amigos programadores já desenvolveram e disponibilizaram gratuitamente na Internet um aplicativo de nome Calibra (http://calibre-ebook.com/download_windows) para converter arquivos DOC, PDF, ODT (do BRoffice) e outros formatos para o formato MOBI, que é um formato reconhecido pelo Kindle com todas as possibilidades de manuseio e audição.
Então, é possível baixar, por exemplo, toda a legislação brasileira no site http://www.presidencia.gov.br/legislacao/, salvar em PDF ou ODT e depois converter através do Calibra para o formato MOBI e copiar para o Kindle. Pronto! Um verdadeiro vade-mecum estará em suas mãos com o peso de menos de 300 gramas, a custo zero, atualizada também a custo zero e sem destruir uma árvore sequer para ser transformada em celulose! A natureza agradece imensamente!
Mas qual a diferença, para o Kindle, entre tantos formatos de arquivos? É fácil: para seu próprio formato (AZW) e no formato MOBI, o Kindle permite a audição do texto por seu próprio leitor de áudio e também permite o manuseio do texto no display, como aumentar o tamanho da fonte e fazer anotações; para o formato PDF, o Kindle permite apenas a leitura.
(Aqui prá nós, a Internet está repleta de sites que oferecem e-books para download, sendo alguns de domínio público e outros com lançamento recente. Eu mesmo procurei e encontrei desde as obras completas de Freud, toda a obra de Pontes de Miranda, os clássicos brasileiros de literatura, os clássicos da filosofia e do Direito etc. Mais uma vez, basta consultar no 4shared.com ou perguntar ao Oráculo (Google) por e-books grátis. Como resultado da consulta, por exemplo, veja este site: http://ebooksgratis.com.br/)
O Preço dessa pequena maravilha? O site da Amazon anuncia o Kindle DX por U$ 489,00 e nas revendas brasileiras, em uma rápida pesquisa, encontrei por preço variando de R$ 1.700 a R$ 2.200. Além disso, sei que existe um movimento no Brasil, inclusive com liminar concedida por uma Juíza Federal de São Paulo, para que o Kindle possa ser importado como leitor de livros, e não como equipamento eletrônico, o que reduz drasticamente o preço. (clique aqui para ler sobre a liminar).
Eu já comprei o meu Kindle e gostei muito. No primeiro dia de brincadeira, entre buscar livros na Internet, converter, copiar, deletar..., quase vi o sol nascer no dia seguinte.
Portanto, penso que o livro em papel continuará existindo, mas a idéia de digitar sua própria obra, enviar como arquivo para uma editora e em poucos dias ser publicada em um site com visibilidade mundial e com preço bem inferior aos gastos com uma publicação convencional, pois não dependerá de impressão e distribuição, parece ter um futuro bem promissor. (leia entrevista com Noga Sklar, editora de livros para o Kindle no Brasil).
Por fim, é importante observar que a simples leitura de e-books não necessita do Kindle, pois a própria amazon disponibiliza para download um aplicativo (confira) para leitura de seus e-books no computador, notebook ou no iphone. Além disso, o Kindle não é o único leitor digital de livros no mercado, mas não tenho maiores informações sobre os outros. A saída é perguntar ao Oráculo, quer dizer, ao Google!

segunda-feira, 22 de março de 2010

A crise é dos Juízes ou do Poder Judiciário?


Desde quando foi instituído através de Emenda Constitucional, o CNJ vive criando programas e projetos visando solucionar a crise do poder judiciário, mas são poucas ou nenhuma as oportunidades oferecidas aos juízes para que manifestem suas impressões e sugestões. Aliás, esta não é uma característica exclusiva do CNJ. Antes dele e muito mais do que ele, os Tribunais de Justiça dos Estados sempre trataram os juízes de primeiro grau como meros serviçais e, agora, cumpridores de metas. 
Na verdade, todas essas campanhas, projetos e programas apresentados à sociedade como se fossem soluções à crise do Poder Judiciário, servem apenas para desviar a atenção dos problemas principais, ou seja, a falta de investimentos, uma estrutura arcaica, a falta de planejamento, a forte concentração do poder na administração dos Tribunais, o excesso de formalismo, um relacionamento quase promíscuo com o poder (o “privilégio do poder”, Boaventura de Sousa Santos), dentre outros.
Dessa forma, assim agindo, o CNJ termina transferindo a crise do Poder para os Juízes e, ao mesmo tempo, não lhes dá condição alguma para contribuírem com a superação dessa crise. Para o CNJ, portanto, os juízes não são atores com condições de contribuírem para superação dos problemas, mas apenas figurantes e, no mais das vezes, apenas culpados pela crise.
No meio de nós juízes, no entanto, são muitos os que crêem que o problema será resolvido com o apadrinhamento de tais programas, esquecendo que seu papel jurídico/político é fazer acontecer a Justiça e que as tarefas administrativas relacionadas ao Poder Judiciário não são da sua competência e que não pode se angustiar e sofrer por conta disso.
 É fato notório que existem juízes ausentes, preguiçosos, morosos, extremamente formalistas e preocupados apenas com o contracheque, o carro novo, os óculos de grife e o saldo na conta-corrente. No entanto, nem todos são assim e existem aqueles que moram em suas comarcas, trabalham de segunda à sexta, domingos e feriados e, mesmo assim, a crise do Poder também é patente em sua Comarca. Por que isso?
Vamos voltar ao começo: a crise é dos Juízes ou do Poder Judiciário?
Finalmente, ao poder dominante interessa, verdadeiramente, a superação dessa crise ou é melhor, para que continuem dominando, que permaneça assim?

domingo, 21 de março de 2010

Um problema para a Lei Canônica


Outro dia “copiei” e “colei” aqui no blog um Salmo atribuído ao Ernesto Cardenal. De tão bonito e parecido com ele, nem tive o cuidado de checar a fonte. Sendo ou não sendo, o importante é a beleza do texto.
Tinha na lembrança que Ernesto Cardenal participara do governo sandinista da Nicarágua e que tivera problemas com o Vaticano. Por curiosidade, pesquisei mais um pouco e encontrei notícia de que Cardenal, por ter participado do governo sandinista, teria sido suspenso “ad divinis” da Igreja Católica.
Na mesma “navegada” de Internet, li a notícia de que o Papa Bento 16 “pediu desculpas” às vítimas de abuso sexual de crianças por padres católicos na República da Irlanda e que iria investigar os casos.
Pois bem, enquanto o Direito Canônico suspendeu “ad divinis” o sacerdote Cardenal por ter participado de um governo popular, o Papa reconhece a existência de pedofilia por parte de padres católicos e pede desculpas aos fiéis. Assim, enquanto o Direito Canônico decide o que fazer com os padres que abusam de crianças indefesas, nesta manhã de domingo (o dia do Senhor), vamos ler mais um Salmo de Cardenal.

SALMO 5

Escucha mis palabras, oh Señor
Oye mis gemidos
Escucha mi protesta
Porque no eres tú un Dios amigo de los dictadores
ni partidario de su política
ni te influencia la propaganda
ni estás en sociedad con el gángster.

No existe sinceridad en sus discursos
ni en sus declaraciones de prensa

Hablan de paz en sus discursos
mientras aumentan su producción de guerra

Hablan de paz en las Conferencias de Paz
y en secreto se preparan para la guerra
Sus radios mentirosos rugen toda la noche
Sus escritorios están llenos de planes criminales
y expedientes siniestros
Pero tú me salvarás de sus planes

Hablan con la boca de las ametralladoras
sus lenguas relucientes
son las bayonetas...
Castígalos oh Dios
malogra su política
confunde sus memorándums
impide sus programas

A la hora de la Sirena de Alarma
tú estarás conmigo
tú serás mi refugio el día de la Bomba

Al que no cree en la mentira de sus anuncios comerciales
ni en sus campañas publicitarias, ni en sus campañas políticas
tú lo bendices
lo rodeas con tu amor
como con tanques blindados.