quarta-feira, 31 de março de 2010

Judiciário baiano: caos, ceticismo e esperança


 
Foto do evento divulgada no site no TJBa. 
 No encontro de ontem, (Workshop de Gestão Participativa da Magistratura Baiana) a Desembargadora Telma Brito, Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, de forma muito honesta, observou que não haverá concurso este ano, em face de problemas com o orçamento, para servidores e nem para Juízes. Informou ainda está buscando soluções alternativas, como a contratação de estagiários, terceirização e utilização de voluntários. Com relação a outros projetos de interesse do Judiciário baiano, informou a Desembargadora Presidente que está negociando com o Governador do Estado e Assembléia Legislativa. Além disso, informou sobre outras providências pontuais que havia tomado nos primeiros meses de gestão. Ao final, de forma serena e visivelmente emocionada, conclamou todos a superar a crise.
Em determinados momentos, a Presidente usou as expressões “caos” e “arrumar a casa”. Não fez referência, no entanto, e nem poderia ser diferente, sobre quem estabeleceu o “caos” ou quem “desarrumou a casa” do Judiciário baiano. Gostei da discrição e honestidade dela.
O Desembargador Jerônimo dos Santos, Corregedor Geral da Justiça, pediu aos juízes que se empenhassem “um pouco mais” no cumprimento das metas para 2010, pois a imagem do Poder Judiciário da Bahia não é das melhores e que poderá, por força do ofício, quando necessário, ser obrigado a adotar providências legais contra quem merecer. Não sei se nas condições atuais, e na certeza de que não teremos mais do que o que já temos, será possível fazer “um pouco mais.”
 A Juíza Nartir Weber, Presidente da Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB), foi convidada e participou das mesas de abertura e encerramento, tendo se manifestado nesta última, cobrando soluções para os problemas que sofrem a magistratura baiana. Gostei de ver nossa presidente compondo a mesa, mas penso que é preciso ter claro qual o papel de quem dirige o Poder Judiciário baiano, em meio ao caos e desarrumação, e de quem representa a magistratura da Bahia, ou seja a AMAB é coadjuvante ou protagonista no desempenho de seu papel representativo?
A intenção de trabalhos em grupos foi muito boa, mas o espaço não ajudou e também não estamos muito acostumados com a metodologia.
Em um dos intervalos, comentando com um colega sobre o Cavalo de Schilda, ele me contou uma história parecida: certa vez, um cachorro começou a se alimentar do próprio rabo e desapareceu quando comeu o focinho. Qualquer coincidência com a situação atual dos magistrados baianos em face das metas que lhe são exigidas, não é mera coincidência.
Com outro colega, lembrando Ariano Suassuna, sertanejos que somos, comentamos que estávamos no “cófibreaque” de um “uorquexópi.” Oxente, moço, será que não temos termos próprios em nossa bela língua para dizer que estávamos tomando um cafezinho no intervalo de um encontro de magistrados?!
No mais, foi uma boa oportunidade para reencontrar velhos amigos e ter a certeza que estamos todos sofrendo com as mesmas dificuldades. Os mais jovens, cheios de esperança; os mais antigos, céticos e com visíveis sinais de cansaço.
Foi isso.

3 comentários:

Ricardo Leony disse...

A esperança é a última que morre!

O problema é que jogam a consequência do problema para vocês juízes como se fossem os autores desse problema. Ou seja, é mais fácil tentar resolver jogando para cima de vocês do que indo de encontro ao estado e sua política nefasta, este que é o verdadeiro vilão do caos.

Esperança é a última que morre!

DELBO AUGUSTO disse...

Bom dia Dr. Gerivaldo
Não sei se admiro ou me compadeço diante de tamanha obstinação.
O problema do Judiciário baiano é visceral, intestinal,recebendo doses homeopáticas de mudança. Só uma verdadeira REVOLUÇÃO, pode mudar o quadro dantesco em que ele esta submerso.
Como baiano que sou, me dói muito ver certas práticas serem tidas como normais, face a tão grande abandono.
A esperança, por mais forte que seja, vacila.
Um tríplice e fraternal abraço.

Anônimo disse...

Gerivaldo, solidarizo com as dificuldades que vc expõe no seu blog. Querem cobrar sem oferecer os meios necessários.
É muito fácil jogar o problema nos juízes quando falta condições materiais, mas faço a ressalva que a escusa não aproveita aos juízes TQQ. A estes a Corregedoria deve ser dura porque estão prejudicando uma população inteira