terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O que significa recon$truir o Haiti?

Do blog de Juliano Keller


Comentaristas esportivos dizem que o craque no futebol é aquele jogador que já sabe o que fazer mesmo antes de ter a bola nos pés. Como eles dizem, é aquele que "antevê" a jogada.

Pois é, enquanto parte do mundo se solidariza com a tragédia do Haiti e outra parte já pensa nos lucros com a reconstrução do país, o jovem professor Juliano Keller "antevê" a jogada e nos lembra que para o capital o que interessa é o lucro, seja na paz ou na tragédia.

Leia o comentário do Juliano logo abaixo, depois assista ao vídeo sobre o livro mencionado (Klein, Naomi. A doutrina do choque - Ascensão do capitalismo do desastre. Editora Nova Fronteira) clicando na imagem de vídeo do YouTube e fique estarrecido com a lógica do capitalismo neoliberal.



O Haiti é um dos países mais pobres do mundo. Isso todo mundo sabe. Cerca de 70% do povo do Haiti vive abaixo da linha da pobreza. Isso todo mundo sabe. O que boa parte dos ingênuos habitante deste planeta - e estou incluído nesse seleto grupo - não sabe é o que farão com aquele pobre país? A indagação foi criada justamente como gancho no post anterior: o livro "Doutrina do Choque - Capitalismo de Desastre". Volto a dizer que quem tiver a oportunidade de adquirir o livro o faça. Nele, tem-se a narrativa cruel de como um certo país situado na América do Norte, influenciado por políticos e economistas sem quaisquer escrúpulos, se aproveitam, por exemplo, de desastres climáticos (furacões, enchentes, etc.), guerras, ou até de ataques terroristas para encontrarem uma excelente oportunidade de verem o Mercado tomar conta daquilo que já foi Público. No mantra do Mercado Global, não existe país, não existe cultura, não existem fronteiras. Tudo é volatilizado. Uma coca-cola aqui, um big mac ali, quem sabe um wall-mart acolá. Com a total destruição do Haiti, seja pelo terremoto, seja pela total degradação humana (saques e explosão de violência generalizada), fica aqui a minha pergunta: será que vão reconstruir o país ou transformá-lo, de vez, num imenso resort para os endinheirados? Fico com a segunda hipótese.

Visite o blog de Juliano Keller: http://direitoforadolugarcomum.blogspot.com/

2 comentários:

Sérgio Ricardo Fernandes de Aquino disse...

Caro Gerivaldo

trata-se de um assunto delicado o que o mundo pode fazer pelo Haiti? Sinceramente, já estou cansado de alguns discursos cujo conteúdo tem pouco significado na vida. O Professor Juliano já havia me indicado o livro, mas por uma série de outros compromissos, infelizmente, ainda não pude lê-lo. Falta-nos aquilo que Lévinas tão bem dizia: sentir o rosto alheio porque é por meio dele que nós abrimos ao infinito - a um Outro absolutamente Outro - e não uma imagem nossa refletida num espelho.

Vanderley Muniz - Advogado - Americana - SP. disse...

Bom dia!!!

Fico contigo na segunda hipótese.

Aliás, já havia pensado nisso antes de ler sua postagem: toda essa montanha de direito que tem sido enviado pelas autoridades mundiais nas mãos de quem vai parar????

Quem administrará tudo isso?

Em prol de quem?

Certamente o país continuará na miséria e os governantes, classe econômica dominante, etc., ascenderão, ainda mais, diante da crise surgida.

Empresas de construção, inclusive brasileiras que já estiveram (e estão) em outros locais destruídos (camargo correia e outras no Iraque e outros), neste momento crucial estão a esfregar as mãos.

E, como abutres, aguardam o momento de atacarem.

"...Estimuladas pelo governo Lula e sua política de ocupação comercial da América Latina e da África, empresas como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa estão construindo hidrelétricas, portos e metrôs em outros países, com financiamento do BNDES..." (Construtoras tentam barrar limite ao BNDES
19/11 - 12:19 - Agência Estado).

E assim caminha a humanidade...