O acadêmico Fábio Lemos Almeida (à esquerda do prof. Cloves) também apresentou uma monografia nota 10.
Na primeira página, uma poesia de Marília Lomanto, professora da UEFS:
Ah! Gente do Campo,
homem do campo,
mulher do campo,
teu campo é canto
da dor mais doída
que abre a ferida
a terra: tua vida.
Terra que acolhe
teu corpo, tua luta
por um chão teu.
Gente do Campo
natureza viva
feita em pedaços;
da tua enxada
sofre a terra o golpe
e exala um cheiro forte
ee mulher parindo,
suando.
Ah! Gente do Campo
a cada sulco aberto
um grito, uma saudade
mais uma ruga
surge em tua face
queimada de sol
que arde em tua carne
de calejada forma.
Ah! Gente do Campo,
homem do campo,
mulher do campo,
a lamentar a seca,
a explodir em fome;
por tanta terra
de vista infinita
sangra o homem que te despreza a
dor.
E quando a morte
lhe arrebata a vida
a mesma terra
de vista infinita
sacia fome
no corpo sem vida
de seu dono!
Marília Lomanto, 1986.
No último parágrafo do trabalho, que teve como título “O Direito de ‘ocupar, resistir e produzir’: uma reflexão sobre as ações do MST pela reforma agrária e função social da propriedade rural”, uma conclusão prá lá de polêmica:
Desta forma, conclui-se que o MST corresponde a um sujeito de direitos que possui legitimidade para a busca por justiça social e reforma agrária, da mesma forma que suas mobilizações – que buscam pressionar o Estado para a satisfação de sua pauta de reivindicações – estão dentro das garantias constitucionais, representando atos democráticos, de resistência e luta para a efetivação dos objetivos de um verdadeiro Estado de direito à realidade social do país.