Penúltimo mês do ano, novembro vai voar.
Com ele, também vai voar o prazo da meta 2.
Eu já cheguei à conclusão que não vou conseguir cumprir 100% da tal meta.
Aliás, eu não consigo trabalhar visando metas e eficiência a qualquer preço.
Como já disse Gilberto Gil, cantado para o amigo Afonsinho:
“A perfeição é uma meta defendida pelo goleiro que joga na seleção.”
E eu sigo, como o poeta, “aperfeiçoando o imperfeito e desprezando a perfeição.”
“Dando um tempo, dando um jeito.”
“E eu não sou Pelé nem nada. Se muito for, sou um Tostão.”
Muitas vezes, demoro dias para julgar uma ação.
Uma ação, na verdade, é um caso que envolve pessoas.
Antes, preciso compreendê-lo e interpretá-lo.
Não consigo julgar adaptando os fatos às leis.
Muito menos, não consigo julgar adaptando fatos aos formulários.
Por isso, julgar promovendo a Justiça é um ato demorado.
É um ato que envolve amor, carinho e humanismo.
Preciso pensar e pensar também cansa.
Cada sentença é um ato de pensar/amar.
Sei que muitos cortam os fatos em pedaços.
Cada pedaço deve se adaptar ao formulário.
E o pendrive está repleto de formulários.
Quando o fato não se adapta, o defeito é do fato.
Então, mata-se o processo/fato no nascedouro.
Como é bom indeferir de plano.
Julgar sem apreciar o mérito é um orgasmo.
O Judiciário é eficiente.
A meta 2 está cumprida.
Viva o CNJ!!!
Esta diferença me faz lembrar Mário Quintana:
“O que eles chamam de nossos defeitos é o que nós temos de diferente deles.
Cultivemo-los pois, com o maior carinho – esses nossos benditos defeitos.”
(no Caderno H)
7 comentários:
Que coisa linda Sr. Juiz!
Olhar o ato de julgar, como pensar/amar, é para alguém muito especial.
Buscar entender a alma humana para melhor julgar, além de especial demonstra uma grande maturidade.
Parabéns
Não é o cérebro que importa mais, mas sim o que o orienta: o caráter, o coração, a generosidade, as ideias.
Fiódor Dostoievski
Por Rogério Lima
Estudante
Quando você julga os outros, você não os define, você define a si mesmo.
Wayne Dyer
Por Rogério Lima
Estudante.
A leveza do texto foge da estrutura fria e própria dos textos juridicos. A veia humanista do autor nos empresta a esperança de um Judiciário mais eficiente e despido dos formalismos e dos formulários. A preocupação do autor com o ato de julgar ultrapassa a mera expectativa da exigência dos números que vão enfeitar as estatísticas. Pois, o ato de julgar é certamente mais humano e vivo do que a frieza dos números que se pretende obter. O texto é poético e humano e nos convida a lutar pelo Direito com o compromisso inafastável de usar o Direito sempre como poesia do caráter.
A Justiça brasileira está precisando de operários do direito, pois operadores já tem demais.
Sem comentários, porque esse post é pura poesia, e, o melhor, reais.
Vou confessar: morro de inveja, porque só sei sentir, então me calo.
Enorme abraço
Andréa Gonçalves Duarte
Só corrigindo: ... e o melhor, real ...
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