Nesta quadra de ausência de utopias – por qual delas ainda morreríamos hoje? – a ironia de Mário Quintana cai muito bem. Aliás, uma leitora do blog me enviou e-mail reclamando da ausência de MQ na festa que aconteceu no Jardim do Fórum.
Reparando o erro, segue a genialidade ímpar de MQ, colocando os heróis e a História em seus verdadeiros trilhos. O Brasil está precisando mesmo...
Conheci um sujeito dado à leitura de história e das Vidas dos Grandes Homens, o qual ficava horripilado só de pensar que Cristóvão Colombo poderia ter nascido morto... e assim, até hoje, aqui na América, seríamos todos uns bugres!
Há muitos para quem a História não passa de uma história em quadrinhos para gente grande, com mocinho e tudo... Principalmente o mocinho!
Os únicos heróis que se salvam são os que morrem jovens e mártires e, se possível, virgens... Joana D’arc reunia esses três requisitos. E depois, era mulher: possuía, além da graça divina, a graça feminina.
(no Caderno H, de Mário Quintana, 5 ed. São Paulo: Editora Globo, 1989, p. 36.)
Pois é, meu caro MQ, ainda existe muita gente boa neste país pensando que a História é uma sucessão de fatos cronológicos e permeada de heróis.
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