
Esta semana um serventuário da justiça de Conceição do Coité precisou ir à Salvador para cumprir um mandado de imissão de posse, de seu interesse, através de Carta Precatória. Voltou decepcionado com o Poder Judiciário.
Contou-me que foi mal recebido pela própria colega, que houve má vontade no atendimento, que precisou conversar com o Juiz para que a servidora do cartório da capital cumprisse com seu dever, ou seja, retratou-me a verdade que os advogados sabem muito mais do que nós que estamos nos gabinetes ou salas de audiência.
Lamentei o ocorrido e apenas contei ao serventuário parte do enredo daquele filme “The Doctor” – Um golpe do Destino - em que um médico (William Hurt) arrogante e desrespeitoso com seus pacientes descobre que está com câncer na garganta e passa à condição de paciente.
Deveria acontecer isto com todos nós: um escrivão deveria um dia ser parte e enfrentar a humilhação em um balcão de cartório, um oficial de justiça deveria um dia precisar do cumprimento de um mandado e esperar a boa vontade de seu colega e, por fim, todo Juiz deveria um dia ser parte e aturar a morosidade do sistema.
Acho que assim mudaríamos pelo menos a forma de atender as pessoas...
1 comentários:
Antes de mais nada, gostaria de expressar meu respeito e admiração à forma como conduz sua carreira de magistrado. Como tenho objetivo de ingressar na magistratura, busco com avidez os bons exemplos para, quando for minha vez, poder segui-los.
Quanto ao caso narrado no blog, devo dizer que tem acontecido comigo o oposto - não que seja bem tratado.
Durante mais de dois anos eu fui estagiário nos Juizados Especiais Cíveis e Criminais na Comarca de Viçosa-MG, onde comecei como estagiário de secretaria e terminei no gabinete da Juíza Titular do JESP.
Durante o estágio tive a oportunidade de ver bem o funcionamento das secretarias, a enorme demanda e os prazos apertados. Mas lá também aprendi a atender bem aos "clientes" do Poder Judiciário. Era regra lá... desde os estagiários até a Juíza sabiam muito bem que um dia poderiam estar do outro lado.
Terminado o curso, retornei à Bahia e estou começando a advogar.
Tenho percebido, com bastante pesar, que de fato, por muitas vezes a má vontade dos servidores é revoltante. Entretanto, gostaria de ressaltar que há também aqui em nosso estado, secretarias em que o atendimento é muito mais que o satisfatório.
Em suma, agradeço ao estágio, não apenas pela inestimável contribuição prática que me forneceu, mas porque não me deixou formar sem saber como funciona uma secretaria (ou cartório como se diz aqui na Bahia).
Mais uma vez, parabéns pela carreira e pelas decisões pautadas não apenas na Justiça, mas também na justiça social.
Obrigado pelo exemplo.
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