Carnaval de Salvador: “apartheid” e seletividade em uma ilha de brancos cercada por uma corda de negros.
Marília Lomanto Veloso *
Ignoro o critério dos órgãos responsáveis pelo Carnaval de Salvador, para estabelecer o percurso dos Blocos, Trios Alternativos, Independentes ou qualquer outro nome dessas parafernálias musicais. Até que me esforcei por saber, junto a um órgão de turismo, mas não tive êxito na resposta. Certo é que alguns/algumas dos “deuses/deusas” que puxam essas “corporações” não passam pelos tradicionais percursos da Avenida Sete, Piedade, São Pedro, Praça Castro Alves, chamado Circuito Campo Grande (ou Osmar), que prefiro designar por “Circuito Senzala”, tal é a manifesta concentração de nichos de pobreza que ali se aglutinam. Muitos desse reis/rainhas do Axé, Pagode, desfilam apenas pelo trajeto Barra/Ondina, (ou Circuito Dodô), que denomino “Circuito Casa Grande”, em razão do grupo de elite que prefere curtir o Carnaval com “segurança”, longe da “mistura” do centro da cidade.
Por escolha política, estou no “Circuito Senzala” e, do alto do quinto andar de um prédio em frente ao velho Jardim da Piedade, cercado por grades de ferro escondidas atrás de muralhas de madeira, posso enxergar com maior objetividade o Carnaval declamado internacionalmente por ser a mais intensa expressão de alegria (e com razão) e de respeito à diversidade étnica e cultural que marca nosso povo (o que não é verdadeiro). Lamentavelmente essa festa, em nossa capital, vem resgatando a figura de um Navio Negreiro, dessa feita, sofisticado e de elevada tecnologia. Grilhões de antigamente agora são cordas que negros e negras arrastam, de mãos enluvadas, para dar proteção à grande massa de brancos e brancas que se torce (nem sempre) em frente, ao lado e no rastro dos possantes veículos que transportam “deuses/deusas” (às vezes negros e negras) do Axé, do Pagode e de não sei mais o que.
No podium simbolizado pelos Trios Elétricos, o encanto e a fama de rostos globais, convidados especialmente para gozo e delírio da maioria pobre, apinhada e comprimida ao longo do espaço público legal (mas ilegitimamente) apropriado pelas elites que desfilam nas grandes Empresas/Blocos que dominam o Mercado Carnavalesco de Salvador, produzindo um espetáculo destinado principalmente aos ricos e aos turistas que ocupam a cidade durante a folia momesca.
Enquanto arde minha repulsa pela expropriação dos sítios de divertimento em Salvador, continuo a espiar o rito de passagem dos Trios. Em um deles, sem bloco, três jovens negras reverenciam Carmem Miranda. Fico à espera dos gritos dos “espremidos” na Praça Piedade. Nada acontece. O silêncio e a indiferença do público deixam claro que as vocalistas, não obstante afortunadas na escolha das vestes e do repertório, não eram midiatizadas, logo, não conseguiam animar a platéia.
Outros Trios passam. De repente, acontece a explosão. A Praça Piedade enlouquece, mobilizada por uma das “deusas” douradas que comandam o espetáculo do Carnaval da Bahia. E outros “deuses/deusas” se sucedem, enquanto também se aglomeram os “excluídos da corda”, pulando entre as barreiras formadas pelos edifícios, pelo jardim e pelas “correntes vivas” que circulam os Blocos. Não só, o muro se fortifica por fileiras de policiais militares, que parecem ter olhos e ouvidos apenas para os negros fora da corda, os quais, em todos os momentos que pude presenciar, eram os únicos abordados.
Carnaval de Salvador é isso aí: uma ilha de brancos cercada por uma corda de negros e negras. Foi a única resposta que consegui formular diante da indagação que me fez uma paulista sobre essa festa já tão deformada na sua feição democrática. Um simples olhar sobre os Blocos/Empresas Carnavalescos é o bastante para consolidar essa afirmativa que dialoga com uma realidade oposta aos dias de Carnaval, único tempo em que a minoria branca e rica predomina sobre uma cidade histórica e matematicamente negra e pobre. Desse modo, os “habitantes” ocasionais da quase todas essas “cidades dos Blocos” escancaram um violento e insuperável contraste com a população negra dos cárceres, das invasões, das periferias, das favelas, dos quilombos, dos Sem Teto, dos Sem Terra.
Por todo o período de Carnaval, negro é o tom da corda, dos ambulantes que circulam aos milhares. É a cor do povo “Fora dos Blocos”, olhando das calçadas, pulsando ao som de altíssimos equipamentos que amplificam à exaustão as vozes dos “mitos” da passarela e aplaudindo os desfilantes dos Blocos, talvez, na sua expressiva maioria, descendências dos colonizadores de terras no passado, e agora, dos espaços antes livres para brincar e da alegria que vibra a cada passagem dos “latifundiários da folia”.
De fato, no Carnaval de Salvador, a rua, a avenida, a praça se constituem o grande domínio desses novos sujeitos sociais que são os empresários donos dos Blocos e seus associados. É verdade que algum recinto sobra para afrodescendentes, por sua inigualável capacidade vocal e instrumental. Mas por vezes questiono se essa aclamada e fascinante musicalidade não termina sendo uma estratégia excludente a partir de um discurso de inclusão social. Isso significa a urgência em se refletir sobre a utilização, pelas elites, do espaço da música e dos tambores como um grande quilombo, distanciando o potencial de negros e negras das “catedrais cristalizadas” que são as Universidades e de outros locus de poder.
Nesse contexto, chama atenção a quem se dispõe a fazer uma leitura crítica do Carnaval de Salvador, o fato de que em nenhum outro momento a luta de classes se revela com tamanho vigor em nossa cidade. As ruas, praças e avenidas que deveriam pertencer ao povo, seu titular legítimo, se acanham para ceder lugar a alguns privilegiados, a exemplo de atores, atrizes, autoridades e outros figurantes da nobreza daqui e de fora do país que se confinam em luxuosos camarotes garantidos pelos “deuses/deusas” do Carnaval ou explorados por capitalistas do Império de Momo, que vendem o espaço público a quem possa dispor do valor cobrado. O mais censurável é a restrição desses espaços, acessíveis apenas à nata esguia, branca e economicamente estável que desfila rigorosamente vestida de “abadá”, figurino de criação baiana comercializada a preços que humilham a quem ganha um salário e envergonham a tantos quantos militam na trincheira da busca pela destituição das desigualdades e pela construção de uma sociedade onde todos e todas, indistintamente, possam se “empoderar” da exultação de “ser pessoa”, e, nesse sentido, de “ser pessoa dentro de todo o espaço da alegria” do Carnaval de Salvador.
* Doutora em Direito pela PUC/SP, Professora de Direito da UEFS, Ex Promotora de Justiça da Bahia, Membro do Conselho Penitenciário do Estado da Bahia e Presidente do JusPopuli/Escritó rio de Direitos Humanos
19 comentários:
Parabéns! Irretocável!
Diante disso tudo, eu, brasileiro, estou quase "jogando a toalha".
Como disse o baiano, Raul Seixas, "a SOLUÇÃO é alugar o Brasil".
Sai em um bloco no circuito Barra-Ondina e vi muitos negros nos blocos, em todos os blocos. Dos mais caros aos mais baratos.
O artigo não reflete a realidade da festa. Procura criar a sensação de divisão negros versus brancos, apenas para sustentar a tese que ptretende defender. Não mostrou nenhum dado estatístico, apenas num " empirismo" amador , cujo observador é apenas a articulista.
Para escrever sobre uma festa excludente teria, que no mínimo fazer uma pesquisa, tabular, lançar dados estatísticos. Fora disso é puro palpite.
O artigo da Dra. Marília Lomanto Veloso chegou em boa hora. Ao contrário do que afirma o comentarista anônimo (espero que se identifique, pois assim poderemos dialogar melhor), o texto traz importantes elementos para uma profunda e necessária reflexão acerca da questão racial e da exclusão social. Os dados numéricos, tabulados ou não, já são do conhecimento de todos. Basta ler os jornais e consultar o IBGE e outros institutos de pesquisa. Não se trata disso. A Dra. Marília fez justamente o que faltava. Lançou um olhar crítico sobre a festa mundialmente conhecida e que tem a capacidade de levar muita gente ao delírio, perpetuando o fenômeno da alienação, ao mesmo tempo em que a rua é privatizada, transformada em mais uma mercadoria de luxo.
Cloves Araújo
Está bem. Não é uma novidade. Aninha Franco já escreveu peça, mestres já defenderam teses, articulistas já se manifestaram...
O texto é um desabafo (bem escrito) e como tal reflete mais uma sistematização daquilo que pensamos e sentimos, sendo, portanto, de aprazível leitura.
Mas o fato é inegável por qualquer um com o mínimo de sensibilidade... e do texto emerge uma pergunta: Será mesmo o carnaval uma festa $intencionalmente$ separatista ou uma festa que reflete uma condição mesmo da sociedade baiana, um microsistema, uma amostra "natural", direta da soterópolis (incluindo-se aí a musicalidade perdida)?
Muito bom texto, meu caro.
Caro Benício,
Essa amostra não é natural, definitivamente não!!! Ela é histórica, é datada e, sobretudo, projetada. Perceber a historicidade é condição necessária para uma possível mudança de postura, respeitando a riqueza e a diversidade cultural de nossa terra e não simplesmente transformando em mais uma mercadoria do modismo e da futilidade que passaram a se constituir como marcas do nosso tempo, lamentavelmente.
Cloves.
Senhor Cloves,
A opção " anônimo" é disponibilizada pelo blog, porque é uma opção admitida. Portanto, não vejo motivos para vincular o diálogo ao fato de utilizar o nome X, Y ou Z. Não se trata de imputação de crime, de denúncia de irregularidade, nem de ofensa a honra. Assim, continuarei a utilizar a identificação " anônimo". Se pensa diferente, paciência, viva a democracia.
Quanto ao artigo, continuo com a minha opinião e vou além :duvido que ela tenha visto os blocos esse ano. Academicismo sem " pesquisa de campo" tem para o conhecimento dos fatos o valor zero.
Muitos negros dançavam e se divertiam em todos os blocos. Se existem pobres e ricos isso se refere ao modelo capitalista adotado. Nada tem a ver com negros ou brancos.
E continuo a desafiar a articulista a provar com números ( qual a pesquisa que ela fez mesmo? onde está registrada? qual o método utilizado? qual o universo pesquisado?) que havia uma segregação pró- brancos ( supostamente em maior números nos blocos).
Só um detalhe: a apresentadora da agenda cultural da Rede bahia - afiliada da TV Globo em Salvador é NEGRA. se fosse branca, a articulista escreveria outra tese, mas como é negra o silêncio argumentativo se estabelece.
Caro Cloves,
Bom saber que ainda há quem leia com esta atenção os comentários.
Talvez não tenha escolhido o melhor termo. Talvez por isso, também, pus entre aspas.
Creio que a Profa. Marília ´conheça muito bem os critérios para a construção de um artigo acadêmico. Creio também que a mesma, ao escrever o texto objeto de tantos comentários, não teve o objetivo de escrever um artigo científico, dissertação, reltatório de pesquisa ou tese e sim, um texto crítico com propostas de reflexão.
O Carnaval de Salvador é uma festa excludente em vários aspectos e a questão racial é um fator de fortíssima exclusão no que diz respeito ao acesso aos melhores circuitos, espaços e às atraões mais "badaladas". Porém, quero ter a ousadia de jogar um pouco mais de "pimenta" no debate: para mim a maior exclusão é a social e não racial (se bem que podemos atrelar as duas...)...
Há muito tempo o Carnaval deixou de ser uma festa popular (e pública) e passou a ser uma festa privatizada. Quem não possui condições de frequentar os glamurosos e confortáveis camarotes ou os badalados blocos é condenado a ficar espremido, sem condições públicas de higiene, de segurança, de conforto, sendo coagido e discriminado pelos agentes públicos que, seguindo diretrizes governamentais, fazem um carnaval para "inglês ver".
Parabéns pelo artigo, Profa. Marília. Que possamos ampliar o debate.
Senhor Anônimo,
Mesmo discordando do anonimato, estou gostando do debate. Continuo divergindo da interpretação que fazeste acerca do artigo.
Primeiro porque a presença de negros (maioria) no carnaval não nos permite negar a condição de subalternos, seja no ato de segurar a corda em condições de trabalho subhumanas, seja na condição de coagidos entre a corda e as calçadas das estreitas ruas da Cidade de Salvador.
Segundo porque porque a segregação racial que temos no Brasil (e que me parece que você tenta fingir que não vê)foi criada através de uma empresa capitalista.
Terceiro porque me parece que a Dra. Marília escreveu um artigo de opinião fundamentado numa realidade que salta aos olhos de qualquer pessoa que não viva na mais profunda alienação. Não sejo motivo para as indagações metodológicas, sobretudo em se tratando de um método positivista superado.
Caso seja do teu interesse conhecer pesquisa da lavra de Marília Lomanto, com objetivo geral e específico, problema, hipótese, marco teórico, revisão bibliografica e resultados, colsulte no google "As vítimas de Rosa do Prado: Um estudo do Direito Penal sobre o MST no Extremo Sul da Bahia".
Cloves
Falou e disse Mestre Cloves.
Senhor Cloves,
O seu julgamento a respeito de minha identificação - se "anônimo" ou não - é irrelevante para que expresse minha opinião. Portanto, esse é um aspecto superado.
Quanto ao texto ( porque sem densidade suficiente para ser mais que isso, pois, como muitos opinaram não tem valor científico, nem acadêmico) está cheio de expressões corriqueiras : " exclusão" de negros, " segregação carnavalesca". Assim é apenas um apanhado de lugares-comum, repetição de mesmos argumentos que não introduzem uma análise verdadeiramente científica- que é o que se espera de quem pretenda força argumentativa.
O senhor Cloves deturbou minhas palavras : Disse que NOS BLOCOS, DESFILANDO, portanto lado a lado, em pé de igualdade com os " brancos" ou seja lá que cor os outros tinhas, OS NEGROS estavam LÁ. A alusão retórica a " negros segurando as cordas", " do lado de fora dos blocos" é um sofisma que não atentou para o que eu escrevi.
A autora fez um diagnóstico equivocado da festa. As divisões que devem ser denunciadas e criticadas sao as produzidas pelo capitalismo que vivemos. O capitalismo não se importa se sou preto, azul, lilás ou branco. Se tenho dinheiro tenho acesso a todos os meios sociais, todos os bens e todos os serviços.
A professora Marília viu muito mal o problema e concentrou seu enfoque em uma observação equivocada. O problema é a concentração de renda absurda. Ou A professora Marília quer dizer que em algum bloco da Bahia um negro rico vai ser proibido de desfilar?
Nossa, o Carnaval já fo um "pouco" diferente...
Só para reflexão! Primeiro o ovo ou a galinha? Qual a quantidade de negros ricos em Salvador em relação a quantidade de brancos? O negro ou a pobreza? Causa? Efeito?
Realmente a Exclusão do negro (pardos e pretos)que perfazem quase 80% da Bahia é gritante. Morei 8 anos na cidade de Salvador e lá tive a oportunidade de vivenciar a lógica do racismo. O racismo não se trata de fruto do psicológico humano, não é um mero gostar ou não gostar do ser negro, mas sim uma edificação estratégica, estrutural e institucional de proteção aos recursos que mantém o patrimônio e sobrevivência privilegiada daqueles que no processo de colonização ganharam terras e explorarão a mão de obra escrava inicialmente do índio e depois, por viabilidade e melhor resultado proporcionado, a do negro. Se analisarmos a lógica do racismo chegaremos a conclusão que o sistema se importa sim se sou negro/negra ou branco/branca tanto é que é muito mais fácil para um branco ser aceito no mercado de emprego que um negro, fato que em alguns estados do Brasil se revela com mais força. Logo, podemos dizer que é a regra.
O carnaval de Salvador revela a realidade brasileira do negro, principalmente na região nordeste local onde desembarcaram levas e mais levas de escravos negros.
Os Abadas são extremamente caros e muitos foliões brancos e negros do Brasil e do exterior começam a pagar o seu passaporte para a folia (Abada) antes de retornarem a sua cidade de origem, (assim que termina a festa já adquirem o carne para pagamento das prestações. Fatos que eu mesma pude presenciar e o que, também, pode ser verificado através de entrevistas na TV com os foliões fiéis ao Carnaval de Salvador.
diante do contexto histórico da nossa sociedade infere-se que ser pobre é consequencia de ser negro. O negro foi escravizado e tratado como animal justamente por sua extrema diferença na cor da pele e traços físicos. a igreja católica, para fundamentar a escravidão, afirmava que o negro não era humano. Ora, a igreja católica foi uma das maiores exploradora da mão de obra escrava negra.
Tudo conforme melhor convém.
PESSOAL ME APRESENTEI COMO ANONIMO PORQUE TEM QUE SE CADASTRAR NO SITE E EU DETESTO FICAR ME CADASTRANDO EM TUDO. Se tivesse login pelo face eu faria por ele.
Primeiramente quero parabenizar Marília pelo artigo. Ela, como sempre, excepcional, seja falando, escrevendo, lecionando, atuando, enfim, promovendo debates e reflexões importantes. Segundo, porque Marília, como jurista, o que é algo raro neste país, tem a coragem de denunciar exclusões e opressões que muitos "acadêmicos" ou juristas teimam em ocultar. Terceiro, porque o texto articula de maneira rica, criativa, ácida e irônica muitas questões que já estão caindo de pobre de conhecidas estatisticamente. Eu estive no circuito "Casa Grande" e vi blocos cheios de brancos, comandados por artistas quase/todos/brancos, puxados por "cordeiros/as" TODOS/AS NEGROS/AS e assistidos por uma leva de negros pobres, como eu, em quem os policiais (todos negros) baixavam o cacete quando os brancos pulavam forte e largo e a pipoca fazia o mesmo ao som do milionário Chiclete! Assim, para entender este fenômeno é evidente que precisamos pensar o cruzamento de categorias como raça/classe/gênero e geração. Porém, em se tratando de Salvador e de Carnaval não podemos negar que os negros permanecem no lugar historicamente reservado para eles em nosso país: do lado de fora, às margens de tudo. MARÍLIA, seu texto é fundamental. Parabéns.
Salete Maria - advogada - email: saletemaria@oi.com.br
Não existe essa divisão por cor da pele o que existe é uma divisão de classes independente da cor da pele, uma divisão entre aqueles que tem grana para comprar um abadá e outros não.
O que não deveria existir era o estabelecimento de blocos e camarotes durante o carnaval, pois o nativo da terra paga impostos altíssimos para garantir a manutenção da própria avenida cujo é espremido durante esse alienante carnaval.
A população baiana pobre seja ela negra ou branca tem que acordar pra vida e começar a lutar pelos seus direitos, valorizar sua cultura e não a cultura imposta pela mídia.
Vamos fazer nosso carnaval em casa, deixar aquela avenada vazia só conferir se o carnaval será o mesmo.
O carnaval sem o povão não é carnaval!
O carnaval não é Chiclete, Ivete, Claudia Leite etc.
O carnaval é o povo !!!
Não existe essa divisão por cor da pele o que existe é uma divisão de classes independente da cor da pele, uma divisão entre aqueles que tem grana para comprar um abadá e outros não.
O que não deveria existir era o estabelecimento de blocos e camarotes durante o carnaval, pois o nativo da terra paga impostos altíssimos para garantir a manutenção da própria avenida cujo é espremido durante esse alienante carnaval.
A população baiana pobre seja ela negra ou branca tem que acordar pra vida e começar a lutar pelos seus direitos, valorizar sua cultura e não a cultura imposta pela mídia.
Vamos fazer nosso carnaval em casa, deixar aquela avenada vazia só conferir se o carnaval será o mesmo.
O carnaval sem o povão não é carnaval!
O carnaval não é Chiclete, Ivete, Claudia Leite etc.
O carnaval é o povo !!!
Faturamento de um camarote de carnaval: R$ 14,4 milhões. Taxa que paga à prefeitura: R$10,58. Ser empresário de bloco ou camarote no Carnaval, na Bahia, não tem preço!
Números reveladores do Carnaval da Bahia, foram publicados na Revista da Metrópole desta sexta:
O bloco Camaleão fatura, sozinho, apenas com a venda de abadás, R$ 6,65 milhões.
O Me Abraça fatura R$ 5,4 milhõesdo mesmo jeito, fora patrocínios.
O Corujas fatura 4,94 milhões.
Tudo isso em apenas três dias.
Já os camarotes faturam assim:
O do Reino, R$ 7,2 milhões;
Nana Banana, R$ 6,2 milhões;
Camarote Salvador, R$ 14,4 milhões.um empresário paga de taxa à Prefeitura para montar um camarote no circuito do Carnaval?
R$ 10,58 de taxa inicial e mais 42,34 por metro quadrado. Uma pechincha. Um achado. Uma oportunidade da China. Ou seja, os empresários não bancam, nem de longe, o custo da festa.
Então, quem banca? O Governo do Estado e a Prefeitura investem R$ 30 milhões para colocar polícia na rua, realizar a limpeza, montar e desmontar toda infra-estrutura, pagar equipes de saúde, etc, etc, etc.
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos,
nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons."
Martin Luther King
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